Relato de Parto Humanizado do ponto de vista do marido

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Parto Humanizado – A visão de um Marido.

Tudo começou no primeiro filho, de repente eu vi minha esposa voltando a “faculdade”. Pesquisas na internet, leitura, livros, blogs e cada dia mais e mais informações sobre parto. O que eu entendia de parto? Nada, para mim era algo simples.

Quando engravidamos do nosso primeiro filho, ele ficou assentado (pélvico) na barriga e, por isso, toda aquela expectativa de ter um parto normal se foi. Era nítida a tristeza da minha esposa por ter que passar por uma cesárea. Ela estava aflita, ficou dopada com os remédios para a dor, não pode tocar no seu filho porque suas mãos estavam presas. Eu cheguei na sala da cirurgia já com o processo cirúrgico iniciado, vi tudo de longe, e o que consegui, foram algumas fotos do primeiro filho.

Confesso que isso não me abalou, eu tinha como prioridade ver a saúde do filho e da minha esposa. Talvez se não houvesse esse tipo de parto (cesariana), minha esposa poderia ter complicações tanto para ela quanto para o bebê. Passamos por uma cesariana necessária, não tínhamos muita opção e não queríamos arriscar um parto normal com bebê pélvico, que apesar de ser possível, envolve alguns riscos que a gente não quis correr. Enfim, após a cesárea, ficamos no hospital e após 3 dias estávamos voltando para casa e a alegria estava completa.

Passados 2 anos, recebi a notícia da segunda gravidez. E, com tantos planos para que este nascesse de parto humanizado, à ideia dela não havia saído da cabeça, pelo contrário, já havia uma equipe escolhida para fazer deste objetivo uma realidade.

No decorrer da gestação tudo apontava que seria possível seguir com esse sonho, eu como marido apoiei a decisão dela. Faltando cerca de 2 meses para o nascimento, minha esposa foi para BH, sua cidade natal, para terminar os exames. A equipe era de lá e sua família estava lá, o suporte da mãe dela também era muito importante.

Iniciei, então, a empreitada de reformar a casa, todos haviam saído e eu teria a chance de melhorar algumas coisas em casa sem a preocupação de sujeira e poeira.

Então num domingo, dormindo em meio à bagunça da reforma, minha esposa me liga e eu desconfiado atendo:

– Ju, tudo bem?

– sim, minha bolsa estourou…

– E agora, o que vamos fazer?

– Venha para BH, porque estou indo para o hospital agora!

Saí procurando passagens de avião, ligando para meu cunhado… Tudo isso ás 06:30 da manhã! Consegui estar em BH, no hospital, as 10:45 da manhã!

Ao ver minha esposa, trocada, com a equipe na suíte de parto, vindo em minha direção para me abraçar foi emocionante, estávamos a poucos momentos de viver aquela experiência. Eu torcia muito para que acontecesse, queria que ela vivesse isso e sabia que precisaria ser o lado da razão para acalmá-la e ajudá-la a fazer as melhores escolhas ao longo de todo caminho até a chegada de nosso segundo filho.

As contrações não vieram como imaginávamos, o tempo foi passando e, após o jantar, nos reunimos com a médica e ela explicou sobre alguns riscos que correríamos se passasse de 24 horas. Decidimos continuar o planejado. Pedimos para a equipe ir descansar e ficamos sozinhos durante a noite, aonde minha esposa teve mais liberdade e ficou mais a vontade. Foi quando começamos a viver as primeiras contrações. Naquela altura achávamos que era a contração da chegada do nosso filho, comecei a presenciar a dor chegando ao corpo dela, o quanto ela tremia a cada 5 minutos e baixando para 3 minutos, durando umas 2 horas. Fiquei preocupado e chamei a médica.  Ela chegou e foi acompanhando o estado do bebê e da minha esposa e tudo estava bem. Mas, as contrações foram diminuindo até parar, tínhamos quase virado 24 horas acordados, resolvemos dormir. Mas eu dormi muito mais fácil do que ela…

Acordei depois de umas 2 ou 3 horas, com a equipe no quarto. As contrações estavam voltando. A médica informou que a dilatação havia aumentado e isso nos trouxe grande alegria. Mas aí iniciou o período mais crítico, as dores haviam aumentado consideravelmente! Pela fisionomia da minha esposa, estava claro que era uma dor gigantesca e isso foi até umas 11 horas da manhã quando a médica analisou novamente a dilatação e nos informou, dizendo:

– Tenho duas noticias para vocês, uma boa e uma ruim. A boa é que sua esposa já está com 7 cm de dilatação, a ruim é que agora a dor vai começar.

Nos emocionamos de alegria, porém, ela estava certa da dor, elas aumentaram… E muito! A pressão que eu tinha em minha mão a cada contração que chegava, me dava um relance do que se passava naquele corpo.

Ela teve toda a liberdade de encontrar uma posição que a deixasse mais confortável, estávamos perto de 30 horas de trabalho de parto, ela já estava cansada, com muitas dores e ficar na banheira com água quente, ajudou a relaxar diante de todo aquele cenário.

Num dado momento, observando o corpo da minha esposa, começamos a ver a chegada do nosso filho. Em nenhum momento me senti assustado com os gemidos dela, com a dor dela, eu precisava primeiro garantir que tudo que ela havia planejado acontecesse. Tinha que estar ali apoiando-a mesmo que ela pedisse o contrário, quando a dor estivesse a vencendo momentaneamente.

Eu entrei na banheira e fiquei sentado atrás dela, enquanto colocávamos o banco de parto para ela se sentar, e isso ajudou bastante. Havia um espelho para acompanhar o progresso da vinda do nosso filho. A luta foi grande, meus braços já estavam doendo de tantos apertos que havia recebidos das contrações por ela recebidas, mas não era nada comparado ao que ela estava vivendo. Sussurrava no ouvido dela, palavras de ânimo para ter forças e coragem para ir à próxima onda da contração.

A tensão no quarto aumenta quando vimos nosso filho coroando, e estava cada vez mais perto o nascimento dele e ela, minha esposa, cada vez mais cansada. Ela buscou seu melhor naquela hora e vimos então se concretizar um sonho realizado, chegou em nossos braços nosso segundo filho!

Ela não tinha forças para segurá-lo, então eu coloquei meus braços por baixo dos dela e o coloquei em contato com o corpo dela e o protegemos com um pano. Ele chorou muito pouco, abriu seus olhos e  fixou em nós e nós nele. São segundos que duram eternidades. Minha esposa cantava a Deus e a ele, ali nos nossos braços, e a alegria e a gratidão enchiam aquele quarto.

Ficamos com ele nos braços até acharmos necessário ficar, o cordão umbilical havia parado de pulsar e decidimos cortá-lo, tive o privilégio de fazê-lo.

Dia 14/04/2014 as 13:57 ficou gravado pra sempre na minha memória.

Em 24 horas, estávamos saindo do hospital, com minha esposa já andando e recuperada, prontos para iniciar a vida em família com 2 meninos.

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CONCLUSÃO

Para mim essa experiência foi a mais bela e a mais chocante que eu já vivi. A beleza de nos ver agindo junto com a natureza, se permitir ser mais intuitivo, acho que cabe aqui um termo, mais “animal” é muito belo.

A admiração que se criou em mim, pela minha esposa aumentou exponencialmente! Claro que já a admirava, mas diante de toda aquela coragem, aquela vontade, acredito que não existe impossível para ela! Isso trouxe um elo muito forte para nós como casal.

Ver o sonho dela realizado me fez sentir muito feliz. Eu como homem poderia pensar diferente, querer mudar alguma coisa, mas o que mais quis, foi ver que ela pode viver intensamente o que é ser mulher, como ela mesma fala.

Se viveria isso novamente? Claro que sim! Agora com muito mais experiência e tranquilidade, claro que a apoiaria… Esse sempre será meu objetivo para com ela.

Vi diferença entre os 2 no nascimento? Existem muitas teorias, depois de meses de nascimento dele, não saberia dizer o que é dele ou o que é do beneficio que ele ganhou por esse parto. O que sei dizer é que fizemos tudo que estava ao nosso alcance para que ele chegasse com o menor impacto possível e da forma mais humana e amável que temos conhecimento na atualidade, talvez o impacto disso veja daqui 10 ou 20 anos.

Meu conselho para os esposos? Apoiar a minha esposa foi importante para mim. Eu tenho como consciência de que ela viva comigo as melhores e as maiores experiências que a vida pode nos dar. Diante disso, claro que eu apoiei e em todo instante estava lá ouvindo, opinando e auxiliando na condução desse caminho que escolhemos para a chegada do nosso segundo filho.

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Agora, vem a parte mais desafiante! Guiá-los na jornada da vida.

Abraço a todos,

Rodrigo Sena Sene – Marido da Juliana e Pai do Samuel e do Isaque

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