Relato de Parto Natural Humanizado – O Nascimento do Isaque – Parte 1

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Olá pessoal! Finalmente consegui parar e escrever o meu relato de parto! Um ano se passou e me dei conta de que prometi e acabei não postando aqui… nem mesmo escrevi para eu ter cada detalhe registrado para mim também! Vida de mãe de dois é bem corrida rsrs! Então, não teria momento melhor para postar sobre isso, do que nessa semana onde comemoramos o seu aniversário de 1 aninho, não é mesmo?! 1 ano depois, mas tá valendo rsrs 😉

Senta que vai ser longo… tão longo que resolvi dividir o relato em duas partes. Vamos a PARTE 1! 🙂

O Nascimento do Isaque – PARTE 1

A péssima experiência que tive com a cesariana no nascimento do meu primeiro filho, Samuel, só serviu para fortalecer a idéia de que, em uma próxima gestação, eu teria que conseguir vivenciar um parto natural, ou pelo menos o parto normal.

Se você quer saber como foi essa minha experiência com a cesariana no nascimento do Samuel CLIQUE AQUI.

Gestação e Pré-Natal

Cerca de 2 anos depois que o Samuel nasceu, engravidei novamente… Deus nos presentearia com mais um menino e seu nome seria Isaque, que significa sorriso.

Eu pensava mil coisas! “Será que dessa vez conseguirei realizar o sonho de passar pela experiência do parto natural?”. Quando eu falava isso, as pessoas me achavam doida… “Você tem o sonho de passar por uma experiência que envolve tanta dor? Você é doida!”, mas não… Sentir dor nunca foi minha preocupação, aliás eu tinha era curiosidade em saber como era a tal dor das contrações e saber qual seria a minha reação a elas. O corpo humano é a mais perfeita criação de Deus e eu ficava imaginando como deveria ser espetacular tudo funcionando perfeitamente no momento da mulher dar a luz… Sem hormônios artificiais, sem indução de parto, sem cortes de bisturis… Tudo funcionando como fez o Criador. Eu só tinha essa certeza: tenho que vivenciar essa experiência aqui na Terra! Eu queria parir, eu queria fazer a força sozinha, deixar a natureza comandar meu corpo, como acontece há milhares de anos.

Então, fiquei com aquilo no meu coração… e sempre orava a Deus pedindo a Ele que no meu segundo filho tudo desse certo para que eu realizasse esse desejo de passar pela experiência do parto natural e o menos intervencionista possível.

Comecei então a me preparar para isso, mas ao mesmo tempo eu estava em paz caso os planos de Deus fossem outros, como foi com o nascimento do Samuel! Mas, de uma coisa eu tinha certeza: O que estivesse ao nosso alcance, faríamos!

Decidimos que nosso segundo filho nasceria em Belo Horizonte. Para quem não sabe, sou natural de BH, mas moro em São Paulo desde que me casei com o amor da minha vida: um paulistano chamado Rodrigo Sene! 🙂

Eu já sabia que em BH tinha uma equipe incrível de profissionais que eram adeptos ao parto humanizado – o Instituto Nascer! Então marquei com a Dra. Quésia e comecei o meu pré natal junto com ela e todos os outros profissionais que me apoiaram maravilhosamente durante a gestação e parto. A maior parte do meu pré natal foi feito em SP, mas sempre mantinha a Dra. Quésia informada de como as coisas estavam indo com a gestação. E, quando completei 32 semanas fui definitivamente para BH, onde seria acompanhada bem de perto por eles e só retornaria a SP após a alta do pós parto e resguardo.

O Pré-natal transcorreu normalmente sendo que tive pouquíssimos desconfortos – o pior era a dor nas costas. Engordei 17 kg ao todo, 3 kg a mais do que na primeira gravidez.

Eu e meu marido escrevemos um extenso plano de parto contendo tudo que gostaríamos que ocorresse durante o parto, que eram basicamente nenhuma intervenção em mim e nem no bebê. Estávamos todos preparadíssimos para que o Isaque tivesse a recepção mais acolhedora e respeitosa possível.

Quer saber o que é plano de parto? CLIQUE AQUI

Nas minhas últimas consultas de pré natal, com 36 semanas de gravidez, a Dra. Quésia me examinou e eu já estava com 2 cm de dilatação. Eu me lembro que toda consulta eu perguntava para ela se o bebê estava virado (eu ficava com receio dele seguir o mesmo caminho do meu 1 filho, que ficou assentado e não virou na barriga). Meu coração estava explodindo de ansiedade pelo que estava por vir, mas tentei me aquietar e esperar os sinais aparecerem de que estava chegando a hora do Isaque vir ao mundo. No tempo dele. No tempo de Deus. Sem agendar datas…Simplesmente esperar ele e meu corpo sinalizarem de que estavam prontos.

Pré Parto

Ás 6 horas da manhã de um domingo (no dia 13/04) acordei para ir ao banheiro como de costume e percebi minha roupa molhada. Pensei “nossa será que fiz xixi nas calças?!” hahaha Inocente eu né?! De repente, já no banheiro, a bolsa estourou de vez e senti aquela “’água” quente escorrendo pelas minhas pernas. “Não, não pode ser! Eu estou com apenas 37 semanas e 1 dia! Normalmente os bebês não resolvem nascer com 39, 40 semanas?!”. Mas, Isaque resolveu nascer quando estávamos com 37 semanas e alguns dias hehehe!

A primeira reação que tive foi de ver se o líquido estava clarinho e sem cheiro forte e percebi que estava tudo ok! A emoção tomou conta de mim… estava chegando a hora! A gente fica imaginando como será, mas na hora fica meio perdida sabe? É engraçado demais isso! Eu, chamei minha mãe, que estava dormindo, e mostrei para ela o aguaceiro no chão do banheiro. Ela logo me disse: “Sua bolsa estourou, minha filha! Ligue para a sua obstetra!”.

Liguei para minha obstetra, contei o que estava acontecendo e ela me disse “É hoje que vamos conhecer o Isaque!”. Ela nem faz idéia do arrepio que essa frase me deu  na hora ahahaha! Logo em seguida já liguei pro Rodrigo que acordou todo assustado com a notícia. Imaginem… ele estava em SP e eu ligo contando que minha bolsa tinha estourado! Ele correu e comprou a primeira passagem que achou para BH!

Corri para arrumar algumas coisas que faltavam e fomos eu e minha mãe para o Instituto Nascer, onde a Dra. Quésia iria me examinar. Eu não estava sentindo nada de contrações ainda.

Dá para ver minha euforia? rsrs

Dá para ver minha euforia? rsrs

Indo ser examinada pela minha obstetra, Dra. Quésia,  no Inst. Nascer

Indo ser examinada pela minha obstetra, Dra. Quésia, no Inst. Nascer

Chegando lá, ela com toda calma do mundo, me examinou, viu que eu estava com 3 cm de dilatação, fez ultrassom, viu que o bebê estava ótimo e me perguntou o que eu queria fazer: Voltar para a casa dos meus pais e só ir para o hospital quando estivesse com mais dilatação ou já ir para a maternidade e esperar o trabalho de parto evoluir lá mesmo, o que poderia ser rápido ou demorado. Decidi ir logo para a maternidade… Na hora optei por isso para poder me concentrar mais no momento, já que na casa dos meus pais o Samuel não me deixaria ficar por conta disso. Hoje, eu teria feito diferente… Teria voltado pra casa e só iria para o hospital quando estivesse com contrações mais ritmadas (fica a dica!).

O momento em que cheguei na maternidade

O momento em que cheguei na maternidade

Dei entrada na suíte de parto do Hospital e Maternidade Santa Fé. Não é um simples quarto de hospital… Ele é um quarto equipado com uma série de coisas para quem deseja ter um parto normal/ natural humanizado (bola, banheira, banquinho de parto, etc…).

Aos poucos as contrações começaram a aparecer bem fraquinhas, assim como uma cólica bem leve.

A única coisa que eu pensava naquele momento era que eu queria que meu marido chegasse logo! Tinha medo que não desse tempo dele chegar! Não via a hora de abraçá-lo. Havíamos conversado e esperado tanto por aquele dia!

E por volta das 11 da manhã ele chegou!!! Me perdi em seu abraço e fiquei ali envolvida em seus braços por um bom tempo!

ele chegando na maternidade ainda com as malas na mão

Ele chegando na maternidade ainda com as malas na mão

Papai participativo! rsrs

Papai participativo! rsrs

E nada das contrações e da dilatação evoluírem de fato. Acho que no fundo a gente sempre acha que seremos surpreendidas com um trabalho de parto rápido, dilatar tudo logo ou ser um daqueles casos que a mãe não sente dor ou que o bebê “escorrega” nas mãos do obstetra rsrs… Mas a verdade é que com a maioria não é assim! E, confesso que quando me deparei com isso eu tive medo. Medo de acabar numa cesariana. Medo de não conseguir realizar meu sonho e me frustrar para sempre.

Está aí um erro e uma dica que quero dar para vocês. Trabalhem o psicológico e não deixe com que ele te abale neste momento. Seja o que for, ou qual for o seu medo, cuide da sua mente, pois ela pode ser o que mais te atrapalhará na evolução do trabalho de parto. O que você precisa nessa hora é de ser entregar por inteiro ao momento. Esquecer de tudo e se focar em você e no seu bebê. Pense nisso na hora. Faça o que for preciso. Cante, ore, mas não se entregue ao medo. É normal os maus pensamentos virem, é só não se entregar a eles… Afugente-os!

Esse medo fez o meu trabalho de parto desacelerar várias vezes. As contrações começavam a ritmar e a ficar mais intensas e depois paravam e enfraqueciam. Daí a ansiedade chegou e eu fiquei extremamente pra baixo.

As horas passando, a tensão e a ansiedade aumentando e ora as contrações ritmavam, ora desaceleravam. E a noite chegou. Tentei dormir para repor as energias, mas não consegui desligar e nem relaxar. Estava muito inquieta e cheguei a pedir para minha obstetra e a minha doula que eu ficasse a sós com o Rodrigo. Queria namorar, ficar juntinho dele e também queríamos ter um tempo de oração a Deus. Depois de algumas horas senti minha mente esvaziar de todo medo e, adivinhem? as contrações começaram a vir muuuuito mais intensas e a dor também. Eu fui para debaixo do chuveiro, usei a bola, marido fez massagem e tudo o que podia fazer para aliviar a dor que eu sentia naquele momento.

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Era uma dor intensa, porém totalmente suportável, tipo uma cólica forte. Apesar da dor eu fiquei eufórica e contente por perceber que a coisa toda estava mudando! E comecei a me entregar pra valer ao momento. Lembro que me permiti gemer de dor e de me liberar mais nesse sentido e senti que isso me ajudou a me desprender e a me entregar ainda mais. Não, eu não gritei.  Em nenhum momento do parto eu gritei, mas chorei, gemi e me expressei de outras maneiras. O Rodrigo conta que eu apertava tanto as mãos dele que parecia que ia quebrar os dedos! Mas isso foi bem depois… eu mal sabia que eu não estava sentindo nem 1/3 da dor que estava por vir. Eu não fazia a mínima ideia! kkk

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A coisa começou a evoluir de maneira tão intensa que o Rodrigo foi chamar a Dra. Quésia achando que já estava para nascer. E eu também acabava que minha dilatação já estava lá nas alturas… Ela chegou, me examinou e….. apenas 4 cm de dilatação. Pronto. Todo medo, ansiedade e tudo mais voltou … e o que aconteceu? O trabalho de parto desacelerou de novo! Parou. Simplesmente parou. Parei de sentir contrações. Parei de sentir dor e elas vinham muito espaçadas e bem menos doloridas. Isso já eram umas 4 da manhã.

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Foi quando eu chorei muito. Muito mesmo! A Dra. Quésia muito carinhosamente nos chamou para conversar e explicou que eu não poderia esperar mais muito tempo, pois minha bolsa já havia se rompido (bolsa rota; risco de infecção para o bebê) e como eu já tinha tido uma cesariana anterior, existiam algumas coisas que deveríamos ter mais cuidado (a cesariana significa que eu já tinha uma cicatriz no útero e por conta disso alguns cuidados eram requeridos). Após muita conversa e dela nos explicar todas as opções que tínhamos, decidimos tentar dormir naquele restinho de madrugada e se o trabalho de parto não evoluísse até de manhã teríamos que tomar algumas providências e, se essas providências não funcionassem, acabaríamos numa cesariana. 😦

Dormir? Não consegui! Chorei muito e fiquei ali deitada na cama e fiquei todo tempo conversando com Deus. Ele me acalmou. Ele me falou ao coração. E enquanto deitada, as contrações continuavam fracas e espaçadas.

E amanheceu…

CONTINUA NA PARTE 2…. Fiquem ligados!

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3 thoughts on “Relato de Parto Natural Humanizado – O Nascimento do Isaque – Parte 1

  1. É verdade Ju, conta logo. Tbm tive uma cesárea e gostaria de ter um normal no proximo filho. Tive e tenho os mesmos medos que vc descreveu. To curiosa pra saber o desenrolar dessa historia…

  2. Pingback: Relato de Parto Natural Humanizado – O Nascimento do Isaque – Parte 2 | Casa da Ju

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